Café e São Paulo a história de um grande amor

Café e São Paulo a história de um grande amor

A história do Brasil com o café começou há centenas de anos e, esse pequeno e amado grão, tem sido o verdadeiro responsável por desencadear o desenvolvimento econômico que fez com que a capital paulista subisse da nona cidade do Brasil, em 1872, até a grande metrópole que é hoje. A cultura cafeeira, que começou no século XVIII, se espalhou pelo Sudeste e Sul do Brasil, trazendo uma riqueza inimaginável e recriando hábitos e costumes muito conhecidos atualmente.

Tudo começou na região Norte do Brasil, mais precisamente em Belém, no Pará, onde foi inicialmente cultivado. Posteriormente, a produção chegou ao Rio de Janeiro que, naquela época, era capital do país. Só depois se expandiu para o que antes era conhecido como Província de São Paulo e só passou a ser cultivado na capital paulista devido ao esgotamento do solo no Rio, pois a produção era extensiva e não mecanizada. Assim, após chegar em São Paulo, o café se consolidou como base da economia do Brasil entre os séculos XIX e início do XX.

A cultura do café exigia grandes espaços de terras e mão–de–obra que, na época, era fornecida pelos escravos. Dessa forma, o crescimento da produção de café estava ligado ao aumento da entrada de escravos no Brasil, que alcançou o auge em 1848, quando desembarcaram 60.000 pessoas escravizadas no país. Dois anos depois, a Lei Euzébio de Queiroz foi sancionada e proibia o tráfico de escravos africanos. O chamado “ciclo do café” trouxe mudanças econômicas e sociais importantes no Brasil, onde a expansão da lavoura levou à ampliação das vias férreas, principalmente em São Paulo. Os portos do Rio de Janeiro e de Santos foram modernizados para exportar a iguaria e a necessidade de mão-de-obra trouxe imigrantes europeus, principalmente depois da abolição dos escravos. O café foi o primeiro produto de exportação controlado principalmente por brasileiros, o que possibilitou o acúmulo de capitais no país.

A produção do café proporcionou o surgimento de novas cidades e o crescimento de muitas outras. Foi ele o responsável pela necessidade de se construir a linha férrea da Companhia Paulista, que se estende de Campinas a Rio Claro, São Carlos, Araraquara e Catanduva. Já a estrada de ferro Mojiana se estende de Campinas a Piraçununga, Casa Branca e Ribeirão Preto, e foi criada para transportar o produto para outros lugares. Claro que o grão foi o motivo pelo qual mais de 4 milhões de imigrantes vieram para cá, entre o fim do século XIX e início do XX, vindos principalmente da Europa.

O potencial financeiro do café foi o que fez com que o país se desenvolvesse rapidamente, o que era possível observar nas grandes mansões e fazendas dos barões donos das terras, nas construções urbanas que se seguiram, na difusão das artes e da cultura europeia trazida pelos imigrantes.

Mas como nem tudo são flores, a crise de 1929 causou um grande impacto na produção do café: a repentina queda no preço e na demanda internacional quebrou a economia cafeeira da época. Entretanto, o país se recuperou e nos dias de hoje ainda ocupa o posto de maior produtor mundial do grão. A riqueza acumulada pelo café, somada à presença dos imigrantes europeus com seus hábitos urbanos, conhecimentos e habilidades, foi o que permitiu o grande desenvolvimento da indústria em São Paulo, após 1930.

O café modificou totalmente a economia e os hábitos dos brasileiros, afinal, muitas reuniões, encontros e negócios estão sempre acompanhadas de um delicioso cafezinho. Ele está na mesa de quase todos os brasileiros, mais presente do que qualquer outro sabor que você possa imaginar.

Não resta a menor dúvida de que o café se tornou muito mais do que uma bebida para dar disposição ou nos manter acordados. É praticamente um ritual, onde a bebida é cultuada com inúmeras pessoas a sua volta. O café está em todas as casas e cada vez mais, em novos e inesperados lugares, atingindo até mesmo as pessoas que um dia disseram não gostar dele. Competições já são realizadas para escolher o melhor barista, a melhor arte em café, o melhor drinque alcoólico ou não alcoólico utilizando a especiaria. O café deixou de ser uma simples bebida e se tornou um ingrediente presente até em pratos da alta gastronomia.

É por isso que São Paulo tem uma relação de muito amor com o café. Seja como for sua preparação, seja de grão, expresso, coado ou solúvel, nós amamos café e vamos cultuá-lo. Pra sempre.

Feliz aniversário, São Paulo.

Um brinde. Com xícaras.

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